sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Eu juro que tentei fugir do assunto, massssssssss....Sim, vamos admitir é final de ano mais uma vez. E eu me pergunto: e daí? E daí que o ano passou voando e daí que cada ano que chega é a idade que em breve aumenta. E daí que as promessas todas feitas na virada foram para o saco. Talvez, você até conseguiu o emprego novo, deu entrada no apartamento, mas aqueles quilinhos insistiram em continuar ali alojados, a coca-cola gritava “leve-me, leve-me” nas gôndolas do supermercado, mesmo jurando que no Natal passado seria o último gole e você não passou a ser mais tolerante e humana com aquele seu parente. Virada de ano é sempre igual, por mais que cada ano seja diferente. E bate aquele desespero “caramba, vai começar tudo de novo?” e você revira sua vida em busca de novas promessas e acaba utilizando sempre as mesmas. E o pior, você sabe que a moleza acabou, que feriado agora só no carnaval e que “baby, alguém tem que trabalhar nesse país” enquanto outros estão de férias.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Coisas que talvez você não saiba sobre mim...


Tive uma bicicleta amarela;
Já fui fã de Xuxa e Backstreet Boys (vergonha do ano 1!!!);
Adorava historinhas do Chico Bento;
Meu sonho secreto era ter uma bota branca igual das Paquitas (vergonha do ano 2!!!)
Já quis ser cantora;
Não gosto de pés, sobretudo com calcanhares que se espalham pelas sandálias;
Quebrei meu pé;
Sou chata para rir de piadas;
Tenho cicatriz de 4 pontos no queixo;
Adoro ler sobre religiões, sobretudo muçulmana (livros estou aceitando);
Já desisti do twitter;
Já desisti de orkut e voltei atrás;
Já comecei e encerrei vários blogs;
Sonho em ser escritora, psicóloga e ter uma pousada;
Não tenho paciência para provar roupas, mas adoro comprar;
Sonho em conhecer o Norte do Brasil e países onde predomina o islã;
Tenho dificuldade para organização de finanças;
Já fui magra;
Sofro do efeito sanfona;
Já tive depressão;
Falo sozinha, faço perguntas e respondo;
Não tolero: pessoas que falam enquanto estou ao telefone, que me perturbem pelo fato de ser quieta e que sejam muquiranas;
Adoro incenso;
Não gosto de carne;
Não suporto que desconhecidos fiquem do meu lado em filas (aconteceu isso no restaurante hoje), sempre penso que querem roubar minha bolsa ou furar a fila, argggggghhh que raiva tenho disso;
Não gosto de pessoas tranquilas demais;
Não gosto de atrasos e enrolações.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Estava percorrendo uma revista enquanto aguardava no consultório e deparo com a seguinte frase “Famosos ou não, todos têm a sua história”. Confesso que me senti balançada a pensar: “qual a minha história?”, algo bastante sugestivo enquanto se espera por uma consulta com psicólogo. O fato é que (obviamente) todos têm a sua história. E fato também é que a maioria adora dizer “minha vida daria um livro”. Bem, a minha também daria ou talvez uma enciclopédia ou o clássico “1001 noites” reinventado. Mas o que é história para gente talvez não seja nada relevante para os demais. As nossas perturbações, problemas, pés na bunda, desilusões, alegrias e fantasias nem sempre são grandes atrações que outros queiram compartilhar. E não é pela história em si. Não, definitivamente não é. É pela maneira que a gente conta e pela maneira que o outro deseja saber. Cansei de achar que minha vida era incrível e contei, contei e contei e o máximo que recebi em troca foram bocejos insistentes. Aí chego à conclusão de que as biografias são escritas para que não vejamos a cara do leitor e nem seu desgosto ou enfado ou sua desistência na página 10. São escritas por aqueles que acham nossa vida interessante, mesmo que ninguém mais concorde. E são autobiografias quando escrevemos porque nós mesmos nos consideramos interessantes, mesmo quando fingimos não ser e mesmo quando ninguém ouse ler.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Coisas do comércio...

Acredito que até já tenha feito isso. Mas que eu detesto, eu detesto. Dia desses, resolvi comprar umas coisinhas. Poucas, mas suficientes. Compras feitas, hora de pagar. Dirijo-me ao caixa e “Só isso?”. Como só isso? Comprei o que precisava. Que mania de vendedor. Sinto-me constrangida com essa pergunta. Será que realmente compro tão pouco? Será que não podemos comprar somente aquilo que precisamos? Será que a caixinha precisa ser aumentada? O vendedor ganha por metas? Seja o que for, considero muito mais elegante um “mais alguma coisa?”. Tão mais simples, mais gentil, mais humano. Pior que isso, só a forma insistentemente antipática de alguns atendimentos.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Aquela sensação que só o Natal traz...

Nunca tive grandes comemorações natalinas na maior parte da minha vida. Mas, lembro da árvore enfeitada na sala. Da estradinha de milho que meu pai fazia para o papai Noel encontrar o caminho para a entrega dos presentes. Lembro ainda dos doces entregues pelo Noel às crianças da minha rua e que eu “inocentemente” roubei. Lembro dos almoços natalinos na casa do avô que substituam as tradicionais ceias. Lembro ainda da boneca Estrela, da bicicleta amarela, da maquininha de fazer tricô. Muito mais que isso, lembro das noites tristes em que comemorávamos o Natal na nossa pequena família, quando no fundo queria todos tios, primos e avós presentes. Lembro da noite que dormi cedo pro Natal acabar logo ou do dia que espiei os vizinhos pela janela enquanto comemoravam a data. O fato é que apesar da solidão, do choro escondido, da desilusão em descobrir que papai Noel não existia, eu sempre esperei pelo Natal. Por que esperar era muito melhor que comemorar. Por que a preparação era tão mais viva, colorida e alegre que a noite natalina. Por que esperar me fazia desejar uma noite cheia de gente e de festa, cheia de conversas paralelas e de tititi, cheia de brincadeiras e de surpresas, cheia de abraços e beijinhos. Mas quando o dia esperado chegava, chegava também a realidade que tudo aquilo era só mais um sonho que nem Noel conseguiu realizar.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Acho o faro jornalístico algo surpreendente. Encontrar uma reportagem que chame atenção e agrade não deve ser tarefa nada fácil. Diante de tantos anúncios de atrocidades, desastres e menções estapafúrdias, encontrar a notícia perfeita parece estar cada vez mais longe de nossa realidade. Mas o que dizer quando o destaque da noite é algo como “o cara pobre que perdeu a grana e o cara bacana que encontrou e devolveu a quantia”. Acho ótimo!!! A honestidade e o bom caráter são sempre ótimos, mas daí isso se tornar notícia é sinal de que algo não vai bem. Quando se torna notícia é porque é inesperado e quando a honestidade se torna inesperada confesso que fico preocupada, sinal de que em uma população de praticamente 185,7 milhões de habitantes poucos são os “bom caráter”. Caramba, isso é triste. Ou o povo culturalmente não dispõe destas boas características ou economicamente a população anda tão miserável que precisa utilizar destas pequenas artimanhas para comprar o pão nosso de cada dia. E creio que não precisamos de grandes teses para descobrirmos a resposta, basta olharmos o perfil de boa parte dos políticos brasileiros.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

A vida é algo tão tênue. É como aquele fiozinho que se você puxa um pouquinho mais arrebenta. E a gente cuida tanto para que isso retarde a acontecer. É estranho um dia perceber que as pessoas partem e não porque mudaram de cidade ou viajaram de férias. Partem porque chegou sua hora, partem porque a vida não é para sempre. Hoje quando vi aquele senhor saindo em disparada para o velório do amigo, pensei: “Como um dia vamos encarar esta realidade que hoje parece tão distante?” Eu não sei como seria, mas quem sabe se pareça com a história da menina que viu o avô partir tão cedo. Ela nunca entendeu e até hoje não entende, mas sente como se ele estivesse por aí, presente, mas não visível. Talvez para os outros, aquele herói não fosse tão significativo, era só mais um que se perde na multidão. Mas para ela não. Foi ele que a protegeu nos dias em que lhe faltou abrigo. Foi ele que a ensinou a orar pelo pai que viajava. Foi ele que a segurava no colo enquanto contava histórias. E foi quando ele partiu que os churrascos de final de semana, a família reunida e a correria no quintal também se foram. Foi quando ele partiu que essa menina finalmente entendeu o que é lembrança. Aquela coisa que às vezes se confunde com saudade, com aperto no peito, com a vontade de abraçar aquela foto como se fosse de carne e osso e com aquelas lágrimas que insistem em surgir, mesmo quando as pessoas dizem que gente grande não chora.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Mala pronta
Hoje parei para observar minha vida e como ela tem sido ao longo dos anos. Confesso que nada mal, não há porque me queixar, mas por outro lado é uma vida de não pertencimento. Quando vejo as pessoas comentarem das suas aquisições imobiliárias, sinto uma pontinha de inveja. Inveja não porque elas possuem os recursos necessários para a compra, mas porque elas finalmente têm um lar. Não que eu não tenha um, mas ultimamente minha vida se resume num porta- malas de carro. É um fazer e desfazer de mala quase que cotidiano. Não, não sou uma especialista em comércio exterior e nem estou negociando com grandes acionistas em Dubai. Simplesmente estou de lá para cá,de cá para lá numa esperança doida de um dia fixar minha felicidade em algum lugar. E não é porque adoro esse vai e vem, mas porque, sabe-se lá, a vida quis assim. E não é de agora. Não é de agora que minha vida segue encaixotada em embalagens de vinho ou da TV a cores. Não é de agora que pego malas emprestadas e saio de mochila nas costas. E não é de agora que essa sensação de não pertencimento faz parte do meu eu. Sempre questionei muito minha família por nunca estar em lugar algum. Por ter tantos amigos e no fundo não ter nenhum. Quando a amizade estava consolidada era hora de partir. E o partir era o que mais machucava e machuca até hoje. Lembro das vezes que chorei no cantinho e minha família nunca compreendia, afinal a mudança geralmente era vista como algo bom, era uma oportunidade de crescer. De fato é, mas só é quando estamos cientes disso e eu não estava. A única consciência que tinha era que meus amigos seriam revisitados talvez depois de 10 anos ou nem isso, que não valia a pena pintar a parede do meu quarto de lilás porque tão logo ele não seria mais meu. Não quero me queixar mais uma vez ou dizer que tudo foi de todo ruim. Não, longe disso. O que eu quero, de verdade, é sonhar e esperar pelo dia que eu tenha um lugar, um cantinho que eu sinta como que verdadeiramente meu. O cantinho para que eu possa voltar depois de desfazer as malas e alimentar das lembranças dos doces dias de férias.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Quando é hora de crescer...

Não sei é um medo coletivo ou particular, mas tenho medo de um dia “virar gente grande”. É aquela história “você sabe o que vai ser quando crescer?”. Lembro de uma conhecida, com o dobro da minha altura, que dizia “vou ser gigante” e olha que ela nem ficou tão gigante assim. O fato é que se um dia sabemos, uma dia descontruímos as nossas ideias. Não porque não deram certo, mas porque não foram exatamente como imaginávamos. Talvez foram muito além das expectativas, talvez tomaram rumos inesperados.
O motivo de minhas idas ao psicólogo foi exatamente esse: “reconhecer a vida adulta, encarar o medo e as responsabilidades”. Confesso que não é tarefa fácil. Talvez por ter me privado de algumas coisas boas da infância e adolescência, tenho vivenciado um ‘lado juvenil tardio’. Por vezes, choro como criança, me rebelo como adolescente e não aceito as mudanças que só os adultos vivenciam. Mas um dia as coisas surgem e você diz “tá, não sou mais criança e nem adolescente”. Um dia, você não quer mais viver sozinha. Um dia você assume novos desafios pois almeja ter sua família, seu negócio próprio. Um dia você acorda e chora porque finalmente descobre que seus dias de criança acabaram, seus pais não podem resolver tudo por você e a hora é de crescer. Um dia você acorda e vê que os pés de galinha já estão mais evidentes, você percebe que acabou de encomendar o anti-sinais e que aquele tic-tac de bolinhas não combina mais com seu cabelo. Prefiro não mais encarar mais com tristeza, decidi que não quero mais chorar. Sei que há situações que nos fazem amadurecer, que fortalecem nossos vínculos e relações e que se nossas asas crescem é para que voemos mais alto, ladeados pelas pessoas que conosco compartilham o amor , respeito e a vontade de encarar a vida como ela realmente é..

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Eu deveria ter um assunto para um novo post. Eu deveria. Eu deveria ter um assunto para uma roda de conversa. Sim, eu deveria. Deveria conseguir contar todos os meus problemas no divã. É, deveria. Quem sabe o capítulo da ontem da novela. O segredo do Chico Xavier investigado pelo Fantástico ou ainda o poder não curativo das plantas medicinais. Quem sabe a dor de cabeça que fez a mulher acordar falando com sotaque francês. Mas eu queria um assunto meu, não de alguém ou de um programa de TV. O fato é que nem sempre tenho assunto. Por vezes, tudo o que quero fazer é observar. Observar os fatos para quem sabe descreve-los. Ou não. O ruim de tudo isso é a incompreensão. Se fico quieta, alguém logo tece inúmeras perguntas.

- Por que está quieta?

- Por nada, só estou observando.

- Observando o quê?

- Nada específico.

- Como assim?

Como assim, pergunto eu. Caramba não posso observar o além ou observar o nada? Ou ficar à espreita esperando algo interessante acontecer? Não, ninguém se conforma com o silêncio.

Pior ainda, é que teimam em dizer que algo aconteceu.

- Hei, aconteceu alguma coisa?

- Não, por quê?

- Está tão quieta.

- Eu sou quieta.

- Eu sei, mas hoje está mais que o normal.

- Não aconteceu nada. Só estou quieta por não ter assunto.

- Como assim?

Reservo-me o direito de ficar calada. Se não estou falando é porque posso não querer falar. É porque estou ocupada demais pensando. Ou quem sabe até o gato comeu a minha língua.

sábado, 18 de setembro de 2010

Diz Oswaldo Montenegro “é peixe quando a luz do misticismo se transforma na procura do princípio e da razão”. São claras as opiniões sobre os piscianos, envoltos em seu misticismo buscam encontrar explicações para a vida. De fato, isso é verdade. Buscamos razões e as mudamos de hora em hora. Contrariamos os fatos, investigamos boatos. Somos incansáveis, queremos saber de tudo a todo momento. Um misticismo que não se confunde com religião. Aliás esta que vive na pauta das minhas indagações, sem que me prenda a essa ou aquela ideologia religiosa. Pelo contrário, quero descobrir a verdade de todas, nas suas mais diversas maneiras. Isso me faz crer, mas também me torna uma descrente tão confessa que chego a me assustar. Me assusto porque busco a razão em Deus, em seres mágicos, no além. Me assusto porque ao mesmo tempo que acredito no divino, me aproximo tanto do profano. Me assusto porque creio tanto no simples acontecer, sem fórmulas, sem raciocínios e busco, ao mesmo tempo, teorias lógicas. Me assusto, porque sonho acordar e descobrir que há razão para se acreditar tanto em Deus, mas durmo querendo rezar e me descubro tão cheia de dúvidas quanto à veracidade da oração. Sou assim tão incógnita, tão crente, tão descrente, mas de toda sorte humana.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

A tal da enxaqueca

Há anos tenho crises horríveis de enxaqueca, que me levam a nocaute e me tornam completamente inútil. Apesar dos males, tenho tentado encarar com bom humor e utilizado de artimanhas para vencer a inimiga ou ao menos zombar da cara dela. Por isto criei uma lista de fatores que podem desencadear uma crise daquelas. (Lembrando ao qualquer mínimo sinal de dor evite os itens que seguem...provavelmente vai rolar a Dona Enxaqueca, ou melhor dizendo, a Bruxa Keka).

1. Ônibus. Andar de ônibus por si só causa dor de cabeça. Lotação gente chata, aquela senhora que conta a vida inteira e quase faz você perder o ponto, apertões, beliscões, motorista mal humorado, arre, um porre. Mas pior que dor de cabeça é a enxaqueca. O movimento do veículo, o rali urbano, o para, freia, anda, para, freia, anda e as conversinhas em todos os cantos enloquecem qualquer miss enxaqueca.

2. Vozes. Você está lá quietinha e sua cabeça mais parece uma escola de samba, tum, tum, tum e tum, tum, tum e pasam várias alas, alegorias, carros e aquela globeleza insiste em sambar na sua cabeça. Eis que de repente, sua casa vira de cabeça pra baixo. Seu trabalho vira de cabeça pra baixo. Tudo vira de cabeça pra baixo. “Cleuza, você sabe da última?” “Você sabia que a Maria tá namorando um cara 30 anos mais novo?” “É, a Eliza tá grávida sim e de gêmeos”. São as vozes, vozes por todos os lados. Argh, eu ouço vozes. Pronto, aí temos uma globeleza duplicada em nossa cabeça. Tum, tum, tum.

3. Relacionamento. Para uma mera mortal dor de cabeça pode ser uma desculpinha para evitar uma noite promissora, para uma miss enxaqueca o sacolejo do casal pode desencadear uma crise daquelas. Sim, porque o movimento assim como o ônibus ativa aquela dorzinha que tava apenas começando e pode acarretar sintomas insustentáveis como nauseas e tonturas. Parceiros, amem sua Miss Enxaqueca incondicionalmente, garanto que não é apenas uma desculpa esfarrapada.

4. Comida. Acordei com um desejo enorme de pizza. Queijo, muito queijo. Mas aí escondidinha está a , a, a, a...quem???? Pois é, um alimento, uma bebida que pode dar prazer, também pode levar a uma crise. Sabe-se que cada organismo reage de uma determinada forma aos alimentos, por isso fique atenta ao que pode desencadear as dores. Um diário alimentar é bacana. Ah, diário sem cadeado, é importante que pessoas próximas te auxiliem a identificar o mal.

5. Família. Ah, a família. Meu bem, meu mal. “Não, não posso, estou com uma terrível dor de cabeça”. “De novo, toma uma remedinho que passa”. Preocupação conosco é ótimo, mas para uma Miss Enxaqueca um simples remedinho não passa e não adianta insistir. Familiares, aí vai uma diquinha: dor de cabeça constante não é bom pra ninguém. Incentive a Miss Enxaqueca a procurar um especialista que indique um tratamento adequado. Simples remedinhos podem agravar o problema e, neste caso, nenhuma Miss Enxaqueca quer ganhar título universal.

Com certeza, muitos outros fatores desencadeiam a temida e não adianta entoar o velho mantra-pergunta “Por que eu?”, você foi premiada, contemplada sem participar do consórcio. É como ganhar uma loteria do mal. Mas como há males que vem para o bem, que seja um malzinho recheado com muito carinho e compreensão das pessoas que nos amam.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

O olhar de um preconceito...

Coisa mais fácil que existe no mundo é rotular. Rotulamos um produto pela aparência da embalagem. Rotulamos uma pessoa pelo seu modo de falar, de andar, sorrir. Pela sua face, pelo seu corpo, por sua cor. Não sofri preconceitos, mas sofri rótulos. Por mais que nos digam “não dê bola para o que os outros falam”, há coisas que doem. E como doem. E pior quando nos ferem, querendo atingir outro alguém.
O ínicio da minha infância foi bastante significativo. Brinquei muito na rua. Embora tivesse um temperamento quieto em sala de aula, bastava despontar pra rua que revelava meus mais belos segredos de criança. Corri, brinquei e pulei. Mas longe desse lado poético, sofri. Tinha amigas de todo o tipo na escola e confesso que embora reconhecesse fisicamente suas diferenças, o sentimento por elas não mudava. Não conseguia, internamente, verificar nenhuma diferença.
Lembro de um episódio que marcou minha vida. Minha bicicleta amarela. Sim, eu tive uma bicicleta amarela. E emprestei minha bicicleta amarela e emprestaria quantas vezes me pedissem. Era minha e sempre seria. Independente de quem andasse nela. O fato é que no belo dia que resolvi empresta-la, ela retornou com o pedal quebrado. Tudo bem, o que é um pedal quebrado. Tantas vezes estraguei. Mas aquele pedal quebrado era diferente. A menina que andou na minha bicicleta, que quebrou o meu pedal era negra. E eu não me importei com isso, nem com o fato dela ser negra, nem com o pedal quebrado. Minhas outras amigas se importaram e trataram logo de fazer com que eu ficasse contra a menina. “Você não vê? Ela não presta, ela quebrou a bicicleta”. Não, ela não quebrou a bicicleta, foi só o pedal. “Não sei como você pode ser amiga dela, ela é negra, ela é pobre. Nunca poderá pagar o conserto”. Confesso, eu fiquei balançada. Me senti como aqueles desenhos animados onde o anjinho e o diabinho disputam sua atenção sobre os ombros. E eles têm argumentos fortes, eles conseguem te manipular. E você pende para o lado, pende para o outro e balança, balança, fica tonta. Arghhhhhhhhh, você só quer gritar ‘chega’. Bom, eu não gritei. Eu fiquei quietinha, bem quietinha. Tão quieta que pude ouvir meu coração. E por que o coração de uma criança fala tão mais alto que de um adulto? Eu não sei, mas naquele dia eu o ouvi e pude agir como uma criança, porque só crianças com um coração puro, longe de qualquer preconceito, são capazes de dar um basta e dizer “dane-se o pedal, ela é minha amiga e ponto final”.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Amor à primeira vista

Ei, você aí? Já amou à primeira vista? Acredita ser possível? Uma certa experiência de vida (cof, cof) faz a gente desconfiar destes grandes anúncios da humanidade: amor à primeira vista, princípe encantado, alma gêmea etc. Acredito no amor, mas não acredito em fórmulas prontas, em tampas que se encaixam em panelas perdidas (ou seria o contrário?). Não quero dizer com isso que não acredito no amor. Acredito sim e muito. Mas acredito que ele é muito mais fruto do respeito mútuo, da compreensão, do companheirismo e do diálogo. Não acredito que ele venha pronto, embrulhado pra presente. Acredito que passamos por vários departamentos até encontrar o presente ideal. Quantos presentinhos de grego tivemos em nossa adolescência, paixonites não resolvidas, paixões platônicas. Às vezes temos a sorte de encontrar assim de primeira, mas convenhamos é bastante incomum. Seja de primeira, segunda ou terceira, o importante é que encontramos quando assim desejamos, quando estamos abertas e quando não procuramos. É como a minha tesourinha de unha (bleh) perdida. Procurei durante anos (sério mesmo, anos) e nunca encontrei. No dia que desisti de procurar, lá estava ela linda e prateada dentro do meu guarda-roupa. Deixei que a tesourinha me encontrasse e assim que o amor acontece...ele te encontra por aí em alguma esquina, no supermercado, no banco, no trabalho, no cinema...e amor não te encontra pronto, perfeito, acabado...o acabado não começa, porque já terminou...o amor acontece quando sentimos a leveza da vida, quando deixamos acontecer, quando nos despreocupamos, quando percebemos que amar só vale a pena quando existir comprometimento e ele não acontece naquele momento, naquela hora, naquele lugar...ele acontece a cada dia, à primeira, à segunda, a todas as vistas possíveis.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010




Os padrões de beleza
Aquela senhora acabou com o meu dia. Acabou mesmo. Queria sumir. Por mais pequena que fosse não conseguia desaparecer naquele momento. Lá estava ela, naquele dia fatídico, comentando minha baixa estatura. Logo ela que tinha menos de 1,50 m. Talvez fosse mais tolerável ouvir de um gigante que eu fosse baixinha, mas ouvir de um pigmeu, doia demais!!!! E assim fui suportando entre altos e baixos (muito mais baixos) que eu era baixinha. Até o dia que pensei “basta, essa é minha altura e pronto”. Apesar de ter crescido muito pouco, resolvi assumir minha estatura. Dificilmente me verão equilibradas em saltos altíssimos ou nos ombros do namorado. Não, eu não sirvo pra isso. Sou uma baixinha compacta e pronto. Até vejo vantagens nisso: minhas pernas viajam tranquilas e felizes no carro apertado, minhas calças não parecem emprestadas da irmã mais nova, ocupo qualquer espaço, não apareço com a cabeça cortada nas fotos, não me incomodam para pegar objetos em prateleiras superiores ou trocar uma lâmpada, fortaleço a panturrilha toda vez que necessito ficar nas pontas dos pés e por aí vai.
Pronto, de posse de todos os atributos e vantagens da vida compacta, apresento agora outro lado de não ser padrão. Não sou magra, minhas pernas e meus braços evidenciam bem essa questão. Não sou obesa, meu IMC é menor que 30. Não sou gorda. Meu IMC destaca um peso saudável. Não sou padrão, porque não me encaixo no estereótipo dito como bacana para o grande público. Sei que dificilmente terei perna fina, barriga chapada, braço fortalecido. Sei que se comer além da conta engordo e sei que se comer menos dificilmente emagreço. Sei que nas minhas crises de ansiedade ataco a comida e que no choro soluçado não consigo engolir. Sei que ainda encontrarei calças e blusas que não se adaptarão ao meu corpo em todas as suas partes, mas sei que posso ser feliz assim. Sei, acima de tudo que o padrão nem sempre é o melhor, que o grande barato é ser diferente e se aceitar diferente. E para não ousarem mencionar que sou tão radical, só digo uma coisinha: só seguirei o padrão imposto, quando ele se chamar FELICIDADE.
Desabafo...

Gosto de política. Sempre gostei. Mas vejam bem, gosto de política, não de politicagem. Gosto da política que diz que o poder emana do povo e não da politicagem que nos faz acoados. Gosto da política que proporciona melhores condições de vida através do emprego, não da politicagem que oferece tudo em troca de um voto. Gosto da política que incentiva os grandes e os pequenos, que faz a terra produzir, não da politicagem que oferece um rancho. Gosto da política que visa a construção de estradas, que melhora as já existentes, que contribui para a melhoria do transporte público, não da politicagem que oferece uma carona para assistir o discurso político. Gosto da política que assume o compromisso do saneamento básico e faz e não da politicagem que finge ter pena das pessoas e suas “intempéries”. O que eu gosto mesmo é desse povo brasileiro que ainda acredita que um dia tudo vai melhorar e não dessa escumalha (crédito ao meu ex professor de política) que finge querer agradar, quando no fundo nada mais faz do que acabar com a nossa esperança de que dias melhores virão.

PS: texto sem ideologias ou inclinações políticas. É só um desabafo de quem espera um dia votar confiante em alguém que realmente faça política, no seu real sentido.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

O mundo tem a cor que a gente pinta

Ele chegou radiante na sala. Feliz da vida mesmo, tipo pulga em cachorro.Gritou aos 4 cantos “maravilha, amanhã já é quinta”. Ela olhou, olhou, pensou e disse “saco, recém quinta”.A vida se torna chata pelo tom que damos às pequenas coisas.Não que eu não reclame, reclamo e reclamo muito. Quem me conhece sabe, mas a gente só percebe como um reclamão é chato, quando ele não é a gente. Eu poderia passar horas reclamando da minha internet, mas consegui uma promoção tão boa que não teria como dispor do serviço por outro valor. Posso reclamar da segunda-feira, mas posso ficar feliz por estar tão longe da próxima segunda-feira. Posso reclamar do meu casaco repetido e fora de moda, mas posso estar feliz por não passar frio. Posso reclamar do domingo tedioso, mas posso ficar feliz por ainda ser domingo. Posso reclamar da propraganda eleitoral, mas posso ficar feliz de não ver nenhum parente pagando mico ou roubando do povo. Posso reclamar de tanta coisa, de tanta gente, de tanta situação, mas posso ficar feliz por ainda ter voz,sentimento e vida para poder reclamar (de leve) de alguma coisinha por aí, do tipo a falta que um chocolatinho faz numa semana de TPM...

sábado, 4 de setembro de 2010

Quando tudo acontece na madrugada...


Sempre tive a sensação que as coisas acontecem do dia pra noite, muito embora as pessoas digam que as coisas não são assim pra acontecer. Pra mim é! Pode demorar anos, mas quando acontece é de uma hora para outra. E geralmente acontecem na madrugada! Por exemplo, quando criança pensava em ficar a madrugada toda acordada esperando as coisas acontecerem. As flores, por exemplo, nunca vi desabrocharem. Ficava dias esperando, vigiando e nada. Dormia, na manhã seguinte lá estavam elas, lindas, abertas. Sensação estranha essa minha. Quando doente, ficava o dia na cama e não melhorava, bastava dormir à noite e pronto, na manhã seguinte estava melhor. O dia chuvoso acabava na madrugada, acordava e estava uma bela manhã de sol. Talvez tenho essa sensação por preferir a noite. Não que adore noitadas, que seja boêmia ou algo assim, mas a noite me parece mágica, tão diferente. Sempre faz envolver-me naquela magia que só sinto quando deito sob a luz da lua, contemplando as estrelas na noite quente de dezembro.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010


Sempre lutei contra a timidez e ela sempre me perseguindo. Ela o cachorro, eu o osso. Ela o velho tarado, eu a guriazinha. Ela o jogador de futebol famoso, eu a loira. Seria uma atração fatal, exceto pelo fato de eu não querer ser atraída por ela. Mas ela me vence pelo cansaço. Minha timidez é estranha. Eu sou uma tímida que não sou tímida. No fundo, eu não sou tímida...mas eu sou, dá pra entender?
A timidez é algo que faz sofrer, que faz as pessoas terem referências erradas de você. Ser tachada de cheia, metida e antissocial é algo bastante comum entre as tímidas. Inclusive eu já julguei pessoas assim, sem saber que elas eram exatamente como eu. Nós escondemos justamente o que queremos mostrar. Até hoje, depois de vários divãs, não sei se ela é um distúrbio, uma condição ou até um charme. Por que, não? Talvez, falte força de vontade, mas creio que poucas pessoas são tímidas porque querem. Você não acorda pensando “Deus, me torne hoje um poço de timidez”. As coisas não funcionam assim. E ela aumenta em condições nada proprícias. Por exemplo frases como “discurso, discurso!”, “não precisa ficar vermelha” agravam o problema. Em situações críticas até cantar um parabéns faz você sentir a pior das criaturas, mesmo que ainda faltem 10 meses pro seu aniversário.
O fato é que a sociedade tem dificuldade em aceitar a timidez como uma característica, nem boa, nem ruim, mas que difere alguém do todo. Você pode ser linda, feia, alta, baixa, inteligente, extrovertida, loira, morena e por que não tímida? Atrapalha? Sim, atrapalha. Mas atrapalharia muito menos se as pessoas respeitassem as pessoas por serem assim tão diferentes (e charmosas, tá?).

quarta-feira, 1 de setembro de 2010


O que faz a gente querer ser uma coisa e não outra...

Às vezes, eu tenho surtos de pensar. Penso em tudo, aliás meu pai diz que minhas enxaquecas são de tanto pensar (mas isso comento em outro momento, ok?) e chego à conclusão que hoje não correspondo a nada do que pensei ser. Quando criança queria ser cantora. Não sei se tinha talento (hoje em dia, não mais necessário), mas eu queria. Pegava o frasco de desodorante, subia no meu palco improvisado e cantava...cantava, cantava...Quando surpreendida, morria de vergonha e me escondia. Mas e daí, uma cantora pode ser tímida também. Muitos tímidos, se soltam no palco e talvez esse fosse o meu compromisso. O tempo passou e eu deixei de fingir que cantava, não por falta de vontade, mas por outras ocupações. Inventei novas estratégias, tracei outros planos, que foram temporários. Mas teve um, um só que nunca saiu da minha cabeça...até hoje!!! Eu queria ter uma pousada! Sim eu queria e ainda quero. Um lugar meu, um lugar onde pudesse planejar as férias de alguém. Onde pudesse mostrar para o mundo um lugar que a maioria desconhece. Um lugar onde eu mando em mim, onde mando nas minhas coisas. Um lugar onde fizesse as pessoas sonharem, onde eu sonharia na minha varandinha de frente pro mar! E lá escreveria (escreverei) meus poemas e contos de amor!

terça-feira, 31 de agosto de 2010

A espera...

A vida de uma mulher pode ser definida por uma palavra: espera...Ela espera semanas para a entrevista de emprego, meses para o filho nascer, anos para o cabelo crescer e muitas vezes a vida pro fulano ligar. Sim, porque eles têm o dom de nos fazer esperar e reclamam quando demoramos uns minutinhos (tudo bem, horas) para nos arrumarmos...Veja a história da Cláudia...alguma semelhança?
Ele prometeu que ligaria.
1° dia, mão inquietas. Manicure por água abaixo. Isso não vai prestar. Telefone toca. Corre. Atende. É sua mãe. Corre de novo. Atende de novo. O chefe. Corre. Tropeça. Bate o mindinho. Aiiiii.Atende.
- Estamos oferecendo à senhora um novo serviço de crédito. Estaremos enviando o seu cartão em até 30 dias.
"Crédito, crédito, crédito é a mãe", pensou Cláudia.
2° dia. O telfone toca. 8 da noite. Atende.
- Ana! Como vai amiga?
Ela não acreditava, o telefone estava funcionando. Se o telefone estava funcionando, então o problema era com...o problema era com ela? Mas por quê?
- Mau hálito? Minha roupa? Será que estava vulgar? Pouco feminina? Chata? Feia? Não, nunca ninguém me disse que era feia.
3° dia. 9 da noite. Nada.
- Se ele não ligar em 10 segundos eu ligo. Não, se ele não ligar até o proximo intervalo comercial eu ligo e digo umas boas verdades. Ora me deixar esperando!
- Alô, Antonio?! Esperei você ligar. Imagino que esteja ocupado. Sei como é, nos dias atuais...
- Claudinha, minha querida, realmente ando muito ocupado. Não é nada com voce...é o trabalho, muito trabalho...
-Eu entendo...
Ele prometeu mais uma vez que ligaria. 3 dias, uma semana, quinze dias. Ela entendeu o recado...não ela não entendia, não queria entender
- Mas poxa, ele me chamou de minha querida. MINHA!!!, dizia soluçando para a amiga...

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Por que escrevemos?

Lembro do meu diário lilás, com um pequeno cadeado inseguro. Sim, não era nada complicado desvendar os mistérios daquela mocinha...bastava um pequeno torção naquele aparato frágil...aquelas folhas rabiscadas, desenhadas, caprichadas por uma letra desenhada e infantil. Aquelas lágrimas que secaram nas páginas decoradas. Era como se meu coração ocupasse cada espaço, cada linha daquele caderninho. Era assim que sentia. É assim que sinto até hoje. Cada letra digitada, cada sonho emoldurado em frase, é meu coração que está aí. Um coração destemido, mas também desconfiado...um coração frágil, mas corajoso...um coração triste e feliz...
Escrever é transpor o sentimento...é quebrar a barreira do falar...é soltar o grito preso na garganta. Tantas vezes desejei o discurso inflamado, o dom da oratória, a graça de fazer rir...mas escrever me permite errar, consertar e acima de tudo registrar palavras que quando simplesmente ditas são levadas como folhas pelo vento.