Estava percorrendo uma revista enquanto aguardava no consultório e deparo com a seguinte frase “Famosos ou não, todos têm a sua história”. Confesso que me senti balançada a pensar: “qual a minha história?”, algo bastante sugestivo enquanto se espera por uma consulta com psicólogo. O fato é que (obviamente) todos têm a sua história. E fato também é que a maioria adora dizer “minha vida daria um livro”. Bem, a minha também daria ou talvez uma enciclopédia ou o clássico “1001 noites” reinventado. Mas o que é história para gente talvez não seja nada relevante para os demais. As nossas perturbações, problemas, pés na bunda, desilusões, alegrias e fantasias nem sempre são grandes atrações que outros queiram compartilhar. E não é pela história em si. Não, definitivamente não é. É pela maneira que a gente conta e pela maneira que o outro deseja saber. Cansei de achar que minha vida era incrível e contei, contei e contei e o máximo que recebi em troca foram bocejos insistentes. Aí chego à conclusão de que as biografias são escritas para que não vejamos a cara do leitor e nem seu desgosto ou enfado ou sua desistência na página 10. São escritas por aqueles que acham nossa vida interessante, mesmo que ninguém mais concorde. E são autobiografias quando escrevemos porque nós mesmos nos consideramos interessantes, mesmo quando fingimos não ser e mesmo quando ninguém ouse ler.
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