quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Eu deveria ter um assunto para um novo post. Eu deveria. Eu deveria ter um assunto para uma roda de conversa. Sim, eu deveria. Deveria conseguir contar todos os meus problemas no divã. É, deveria. Quem sabe o capítulo da ontem da novela. O segredo do Chico Xavier investigado pelo Fantástico ou ainda o poder não curativo das plantas medicinais. Quem sabe a dor de cabeça que fez a mulher acordar falando com sotaque francês. Mas eu queria um assunto meu, não de alguém ou de um programa de TV. O fato é que nem sempre tenho assunto. Por vezes, tudo o que quero fazer é observar. Observar os fatos para quem sabe descreve-los. Ou não. O ruim de tudo isso é a incompreensão. Se fico quieta, alguém logo tece inúmeras perguntas.

- Por que está quieta?

- Por nada, só estou observando.

- Observando o quê?

- Nada específico.

- Como assim?

Como assim, pergunto eu. Caramba não posso observar o além ou observar o nada? Ou ficar à espreita esperando algo interessante acontecer? Não, ninguém se conforma com o silêncio.

Pior ainda, é que teimam em dizer que algo aconteceu.

- Hei, aconteceu alguma coisa?

- Não, por quê?

- Está tão quieta.

- Eu sou quieta.

- Eu sei, mas hoje está mais que o normal.

- Não aconteceu nada. Só estou quieta por não ter assunto.

- Como assim?

Reservo-me o direito de ficar calada. Se não estou falando é porque posso não querer falar. É porque estou ocupada demais pensando. Ou quem sabe até o gato comeu a minha língua.

sábado, 18 de setembro de 2010

Diz Oswaldo Montenegro “é peixe quando a luz do misticismo se transforma na procura do princípio e da razão”. São claras as opiniões sobre os piscianos, envoltos em seu misticismo buscam encontrar explicações para a vida. De fato, isso é verdade. Buscamos razões e as mudamos de hora em hora. Contrariamos os fatos, investigamos boatos. Somos incansáveis, queremos saber de tudo a todo momento. Um misticismo que não se confunde com religião. Aliás esta que vive na pauta das minhas indagações, sem que me prenda a essa ou aquela ideologia religiosa. Pelo contrário, quero descobrir a verdade de todas, nas suas mais diversas maneiras. Isso me faz crer, mas também me torna uma descrente tão confessa que chego a me assustar. Me assusto porque busco a razão em Deus, em seres mágicos, no além. Me assusto porque ao mesmo tempo que acredito no divino, me aproximo tanto do profano. Me assusto porque creio tanto no simples acontecer, sem fórmulas, sem raciocínios e busco, ao mesmo tempo, teorias lógicas. Me assusto, porque sonho acordar e descobrir que há razão para se acreditar tanto em Deus, mas durmo querendo rezar e me descubro tão cheia de dúvidas quanto à veracidade da oração. Sou assim tão incógnita, tão crente, tão descrente, mas de toda sorte humana.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

A tal da enxaqueca

Há anos tenho crises horríveis de enxaqueca, que me levam a nocaute e me tornam completamente inútil. Apesar dos males, tenho tentado encarar com bom humor e utilizado de artimanhas para vencer a inimiga ou ao menos zombar da cara dela. Por isto criei uma lista de fatores que podem desencadear uma crise daquelas. (Lembrando ao qualquer mínimo sinal de dor evite os itens que seguem...provavelmente vai rolar a Dona Enxaqueca, ou melhor dizendo, a Bruxa Keka).

1. Ônibus. Andar de ônibus por si só causa dor de cabeça. Lotação gente chata, aquela senhora que conta a vida inteira e quase faz você perder o ponto, apertões, beliscões, motorista mal humorado, arre, um porre. Mas pior que dor de cabeça é a enxaqueca. O movimento do veículo, o rali urbano, o para, freia, anda, para, freia, anda e as conversinhas em todos os cantos enloquecem qualquer miss enxaqueca.

2. Vozes. Você está lá quietinha e sua cabeça mais parece uma escola de samba, tum, tum, tum e tum, tum, tum e pasam várias alas, alegorias, carros e aquela globeleza insiste em sambar na sua cabeça. Eis que de repente, sua casa vira de cabeça pra baixo. Seu trabalho vira de cabeça pra baixo. Tudo vira de cabeça pra baixo. “Cleuza, você sabe da última?” “Você sabia que a Maria tá namorando um cara 30 anos mais novo?” “É, a Eliza tá grávida sim e de gêmeos”. São as vozes, vozes por todos os lados. Argh, eu ouço vozes. Pronto, aí temos uma globeleza duplicada em nossa cabeça. Tum, tum, tum.

3. Relacionamento. Para uma mera mortal dor de cabeça pode ser uma desculpinha para evitar uma noite promissora, para uma miss enxaqueca o sacolejo do casal pode desencadear uma crise daquelas. Sim, porque o movimento assim como o ônibus ativa aquela dorzinha que tava apenas começando e pode acarretar sintomas insustentáveis como nauseas e tonturas. Parceiros, amem sua Miss Enxaqueca incondicionalmente, garanto que não é apenas uma desculpa esfarrapada.

4. Comida. Acordei com um desejo enorme de pizza. Queijo, muito queijo. Mas aí escondidinha está a , a, a, a...quem???? Pois é, um alimento, uma bebida que pode dar prazer, também pode levar a uma crise. Sabe-se que cada organismo reage de uma determinada forma aos alimentos, por isso fique atenta ao que pode desencadear as dores. Um diário alimentar é bacana. Ah, diário sem cadeado, é importante que pessoas próximas te auxiliem a identificar o mal.

5. Família. Ah, a família. Meu bem, meu mal. “Não, não posso, estou com uma terrível dor de cabeça”. “De novo, toma uma remedinho que passa”. Preocupação conosco é ótimo, mas para uma Miss Enxaqueca um simples remedinho não passa e não adianta insistir. Familiares, aí vai uma diquinha: dor de cabeça constante não é bom pra ninguém. Incentive a Miss Enxaqueca a procurar um especialista que indique um tratamento adequado. Simples remedinhos podem agravar o problema e, neste caso, nenhuma Miss Enxaqueca quer ganhar título universal.

Com certeza, muitos outros fatores desencadeiam a temida e não adianta entoar o velho mantra-pergunta “Por que eu?”, você foi premiada, contemplada sem participar do consórcio. É como ganhar uma loteria do mal. Mas como há males que vem para o bem, que seja um malzinho recheado com muito carinho e compreensão das pessoas que nos amam.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

O olhar de um preconceito...

Coisa mais fácil que existe no mundo é rotular. Rotulamos um produto pela aparência da embalagem. Rotulamos uma pessoa pelo seu modo de falar, de andar, sorrir. Pela sua face, pelo seu corpo, por sua cor. Não sofri preconceitos, mas sofri rótulos. Por mais que nos digam “não dê bola para o que os outros falam”, há coisas que doem. E como doem. E pior quando nos ferem, querendo atingir outro alguém.
O ínicio da minha infância foi bastante significativo. Brinquei muito na rua. Embora tivesse um temperamento quieto em sala de aula, bastava despontar pra rua que revelava meus mais belos segredos de criança. Corri, brinquei e pulei. Mas longe desse lado poético, sofri. Tinha amigas de todo o tipo na escola e confesso que embora reconhecesse fisicamente suas diferenças, o sentimento por elas não mudava. Não conseguia, internamente, verificar nenhuma diferença.
Lembro de um episódio que marcou minha vida. Minha bicicleta amarela. Sim, eu tive uma bicicleta amarela. E emprestei minha bicicleta amarela e emprestaria quantas vezes me pedissem. Era minha e sempre seria. Independente de quem andasse nela. O fato é que no belo dia que resolvi empresta-la, ela retornou com o pedal quebrado. Tudo bem, o que é um pedal quebrado. Tantas vezes estraguei. Mas aquele pedal quebrado era diferente. A menina que andou na minha bicicleta, que quebrou o meu pedal era negra. E eu não me importei com isso, nem com o fato dela ser negra, nem com o pedal quebrado. Minhas outras amigas se importaram e trataram logo de fazer com que eu ficasse contra a menina. “Você não vê? Ela não presta, ela quebrou a bicicleta”. Não, ela não quebrou a bicicleta, foi só o pedal. “Não sei como você pode ser amiga dela, ela é negra, ela é pobre. Nunca poderá pagar o conserto”. Confesso, eu fiquei balançada. Me senti como aqueles desenhos animados onde o anjinho e o diabinho disputam sua atenção sobre os ombros. E eles têm argumentos fortes, eles conseguem te manipular. E você pende para o lado, pende para o outro e balança, balança, fica tonta. Arghhhhhhhhh, você só quer gritar ‘chega’. Bom, eu não gritei. Eu fiquei quietinha, bem quietinha. Tão quieta que pude ouvir meu coração. E por que o coração de uma criança fala tão mais alto que de um adulto? Eu não sei, mas naquele dia eu o ouvi e pude agir como uma criança, porque só crianças com um coração puro, longe de qualquer preconceito, são capazes de dar um basta e dizer “dane-se o pedal, ela é minha amiga e ponto final”.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Amor à primeira vista

Ei, você aí? Já amou à primeira vista? Acredita ser possível? Uma certa experiência de vida (cof, cof) faz a gente desconfiar destes grandes anúncios da humanidade: amor à primeira vista, princípe encantado, alma gêmea etc. Acredito no amor, mas não acredito em fórmulas prontas, em tampas que se encaixam em panelas perdidas (ou seria o contrário?). Não quero dizer com isso que não acredito no amor. Acredito sim e muito. Mas acredito que ele é muito mais fruto do respeito mútuo, da compreensão, do companheirismo e do diálogo. Não acredito que ele venha pronto, embrulhado pra presente. Acredito que passamos por vários departamentos até encontrar o presente ideal. Quantos presentinhos de grego tivemos em nossa adolescência, paixonites não resolvidas, paixões platônicas. Às vezes temos a sorte de encontrar assim de primeira, mas convenhamos é bastante incomum. Seja de primeira, segunda ou terceira, o importante é que encontramos quando assim desejamos, quando estamos abertas e quando não procuramos. É como a minha tesourinha de unha (bleh) perdida. Procurei durante anos (sério mesmo, anos) e nunca encontrei. No dia que desisti de procurar, lá estava ela linda e prateada dentro do meu guarda-roupa. Deixei que a tesourinha me encontrasse e assim que o amor acontece...ele te encontra por aí em alguma esquina, no supermercado, no banco, no trabalho, no cinema...e amor não te encontra pronto, perfeito, acabado...o acabado não começa, porque já terminou...o amor acontece quando sentimos a leveza da vida, quando deixamos acontecer, quando nos despreocupamos, quando percebemos que amar só vale a pena quando existir comprometimento e ele não acontece naquele momento, naquela hora, naquele lugar...ele acontece a cada dia, à primeira, à segunda, a todas as vistas possíveis.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010




Os padrões de beleza
Aquela senhora acabou com o meu dia. Acabou mesmo. Queria sumir. Por mais pequena que fosse não conseguia desaparecer naquele momento. Lá estava ela, naquele dia fatídico, comentando minha baixa estatura. Logo ela que tinha menos de 1,50 m. Talvez fosse mais tolerável ouvir de um gigante que eu fosse baixinha, mas ouvir de um pigmeu, doia demais!!!! E assim fui suportando entre altos e baixos (muito mais baixos) que eu era baixinha. Até o dia que pensei “basta, essa é minha altura e pronto”. Apesar de ter crescido muito pouco, resolvi assumir minha estatura. Dificilmente me verão equilibradas em saltos altíssimos ou nos ombros do namorado. Não, eu não sirvo pra isso. Sou uma baixinha compacta e pronto. Até vejo vantagens nisso: minhas pernas viajam tranquilas e felizes no carro apertado, minhas calças não parecem emprestadas da irmã mais nova, ocupo qualquer espaço, não apareço com a cabeça cortada nas fotos, não me incomodam para pegar objetos em prateleiras superiores ou trocar uma lâmpada, fortaleço a panturrilha toda vez que necessito ficar nas pontas dos pés e por aí vai.
Pronto, de posse de todos os atributos e vantagens da vida compacta, apresento agora outro lado de não ser padrão. Não sou magra, minhas pernas e meus braços evidenciam bem essa questão. Não sou obesa, meu IMC é menor que 30. Não sou gorda. Meu IMC destaca um peso saudável. Não sou padrão, porque não me encaixo no estereótipo dito como bacana para o grande público. Sei que dificilmente terei perna fina, barriga chapada, braço fortalecido. Sei que se comer além da conta engordo e sei que se comer menos dificilmente emagreço. Sei que nas minhas crises de ansiedade ataco a comida e que no choro soluçado não consigo engolir. Sei que ainda encontrarei calças e blusas que não se adaptarão ao meu corpo em todas as suas partes, mas sei que posso ser feliz assim. Sei, acima de tudo que o padrão nem sempre é o melhor, que o grande barato é ser diferente e se aceitar diferente. E para não ousarem mencionar que sou tão radical, só digo uma coisinha: só seguirei o padrão imposto, quando ele se chamar FELICIDADE.
Desabafo...

Gosto de política. Sempre gostei. Mas vejam bem, gosto de política, não de politicagem. Gosto da política que diz que o poder emana do povo e não da politicagem que nos faz acoados. Gosto da política que proporciona melhores condições de vida através do emprego, não da politicagem que oferece tudo em troca de um voto. Gosto da política que incentiva os grandes e os pequenos, que faz a terra produzir, não da politicagem que oferece um rancho. Gosto da política que visa a construção de estradas, que melhora as já existentes, que contribui para a melhoria do transporte público, não da politicagem que oferece uma carona para assistir o discurso político. Gosto da política que assume o compromisso do saneamento básico e faz e não da politicagem que finge ter pena das pessoas e suas “intempéries”. O que eu gosto mesmo é desse povo brasileiro que ainda acredita que um dia tudo vai melhorar e não dessa escumalha (crédito ao meu ex professor de política) que finge querer agradar, quando no fundo nada mais faz do que acabar com a nossa esperança de que dias melhores virão.

PS: texto sem ideologias ou inclinações políticas. É só um desabafo de quem espera um dia votar confiante em alguém que realmente faça política, no seu real sentido.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

O mundo tem a cor que a gente pinta

Ele chegou radiante na sala. Feliz da vida mesmo, tipo pulga em cachorro.Gritou aos 4 cantos “maravilha, amanhã já é quinta”. Ela olhou, olhou, pensou e disse “saco, recém quinta”.A vida se torna chata pelo tom que damos às pequenas coisas.Não que eu não reclame, reclamo e reclamo muito. Quem me conhece sabe, mas a gente só percebe como um reclamão é chato, quando ele não é a gente. Eu poderia passar horas reclamando da minha internet, mas consegui uma promoção tão boa que não teria como dispor do serviço por outro valor. Posso reclamar da segunda-feira, mas posso ficar feliz por estar tão longe da próxima segunda-feira. Posso reclamar do meu casaco repetido e fora de moda, mas posso estar feliz por não passar frio. Posso reclamar do domingo tedioso, mas posso ficar feliz por ainda ser domingo. Posso reclamar da propraganda eleitoral, mas posso ficar feliz de não ver nenhum parente pagando mico ou roubando do povo. Posso reclamar de tanta coisa, de tanta gente, de tanta situação, mas posso ficar feliz por ainda ter voz,sentimento e vida para poder reclamar (de leve) de alguma coisinha por aí, do tipo a falta que um chocolatinho faz numa semana de TPM...

sábado, 4 de setembro de 2010

Quando tudo acontece na madrugada...


Sempre tive a sensação que as coisas acontecem do dia pra noite, muito embora as pessoas digam que as coisas não são assim pra acontecer. Pra mim é! Pode demorar anos, mas quando acontece é de uma hora para outra. E geralmente acontecem na madrugada! Por exemplo, quando criança pensava em ficar a madrugada toda acordada esperando as coisas acontecerem. As flores, por exemplo, nunca vi desabrocharem. Ficava dias esperando, vigiando e nada. Dormia, na manhã seguinte lá estavam elas, lindas, abertas. Sensação estranha essa minha. Quando doente, ficava o dia na cama e não melhorava, bastava dormir à noite e pronto, na manhã seguinte estava melhor. O dia chuvoso acabava na madrugada, acordava e estava uma bela manhã de sol. Talvez tenho essa sensação por preferir a noite. Não que adore noitadas, que seja boêmia ou algo assim, mas a noite me parece mágica, tão diferente. Sempre faz envolver-me naquela magia que só sinto quando deito sob a luz da lua, contemplando as estrelas na noite quente de dezembro.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010


Sempre lutei contra a timidez e ela sempre me perseguindo. Ela o cachorro, eu o osso. Ela o velho tarado, eu a guriazinha. Ela o jogador de futebol famoso, eu a loira. Seria uma atração fatal, exceto pelo fato de eu não querer ser atraída por ela. Mas ela me vence pelo cansaço. Minha timidez é estranha. Eu sou uma tímida que não sou tímida. No fundo, eu não sou tímida...mas eu sou, dá pra entender?
A timidez é algo que faz sofrer, que faz as pessoas terem referências erradas de você. Ser tachada de cheia, metida e antissocial é algo bastante comum entre as tímidas. Inclusive eu já julguei pessoas assim, sem saber que elas eram exatamente como eu. Nós escondemos justamente o que queremos mostrar. Até hoje, depois de vários divãs, não sei se ela é um distúrbio, uma condição ou até um charme. Por que, não? Talvez, falte força de vontade, mas creio que poucas pessoas são tímidas porque querem. Você não acorda pensando “Deus, me torne hoje um poço de timidez”. As coisas não funcionam assim. E ela aumenta em condições nada proprícias. Por exemplo frases como “discurso, discurso!”, “não precisa ficar vermelha” agravam o problema. Em situações críticas até cantar um parabéns faz você sentir a pior das criaturas, mesmo que ainda faltem 10 meses pro seu aniversário.
O fato é que a sociedade tem dificuldade em aceitar a timidez como uma característica, nem boa, nem ruim, mas que difere alguém do todo. Você pode ser linda, feia, alta, baixa, inteligente, extrovertida, loira, morena e por que não tímida? Atrapalha? Sim, atrapalha. Mas atrapalharia muito menos se as pessoas respeitassem as pessoas por serem assim tão diferentes (e charmosas, tá?).

quarta-feira, 1 de setembro de 2010


O que faz a gente querer ser uma coisa e não outra...

Às vezes, eu tenho surtos de pensar. Penso em tudo, aliás meu pai diz que minhas enxaquecas são de tanto pensar (mas isso comento em outro momento, ok?) e chego à conclusão que hoje não correspondo a nada do que pensei ser. Quando criança queria ser cantora. Não sei se tinha talento (hoje em dia, não mais necessário), mas eu queria. Pegava o frasco de desodorante, subia no meu palco improvisado e cantava...cantava, cantava...Quando surpreendida, morria de vergonha e me escondia. Mas e daí, uma cantora pode ser tímida também. Muitos tímidos, se soltam no palco e talvez esse fosse o meu compromisso. O tempo passou e eu deixei de fingir que cantava, não por falta de vontade, mas por outras ocupações. Inventei novas estratégias, tracei outros planos, que foram temporários. Mas teve um, um só que nunca saiu da minha cabeça...até hoje!!! Eu queria ter uma pousada! Sim eu queria e ainda quero. Um lugar meu, um lugar onde pudesse planejar as férias de alguém. Onde pudesse mostrar para o mundo um lugar que a maioria desconhece. Um lugar onde eu mando em mim, onde mando nas minhas coisas. Um lugar onde fizesse as pessoas sonharem, onde eu sonharia na minha varandinha de frente pro mar! E lá escreveria (escreverei) meus poemas e contos de amor!