quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

A necessidade de falar...

Nunca tive receio ao falar sobre os meus períodos depressivos. Uma porque me sentia bem em desabafar, outra porque era uma maneira de me fazer compreendida e outra porque foi a partir desses desabafos que percebi as pessoas que realmente me querem bem na vida. No mais, dane-se.
A primeira vez que entrei num consultório de psicologia me senti à vontade. Pode? Por mais que era com espanto que ouvia os comentários alheios, aquele lugar era uma fortaleza, como se todos os meus problemas ficassem lá, só lá. A primeira vez que desisti de um consultório de psicologia, foi exatamente quando fiquei frente a frente com a realidade. E essa aparecia carrancuda e me dizia “é sou eu!!”. O que eu fiz? Eu fugi! E tentei e fugi tantas outras vezes. Mas a realidade é um bicho danado, ela nos persegue. Até fica escondidinha, mas sempre à espreita. E quanto mais fui encarando a realidade, mais fiquei com medo e corajosa ao mesmo tempo, por maior que seja o conflito. Até que um dia a realidade passou de um bicho ameaçador a uma conhecida bondosa. Conhecida sim, porque ela ainda não é minha melhor amiga. Ela até tenta, mas eu sou avessa às suas investidas. Eu ainda fujo quando sinto medo, mesmo que com menor freqüência. Eu ainda preciso falar quando aquela angústia me sufoca, mas desse mal não tenho mais medo, muito embora tudo fique entre as quatro paredes de um consultório.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

“Casa de ferreiro, espeto de pau...”

Certa vez exercitando uma tabela de temporalidade documental, lembro da professora que dizia que deveríamos nos desapegar de certos documentos pessoais. Quando ela falou aquilo, foi um auê na sala “e nossas lembranças?”, “isso faz parte de nossa história” e demais devaneios. Ouvir aquilo doeu como um tapa no rosto, como uma enxurrada que devasta nossa frágil memória. Sem exagero, foi um choque coletivo. O que me confortava naquele momento era que aquilo era apenas um exercício e que nunca (eu disse nunca) aplicaria na minha “vida documentada”. Por mais que tudo esteja caprichosamente guardado (pelas mãos da minha mãe), sei que a maioria dos convites de aniversário, lembrancinhas, cartõezinhos de escola não fazem mais sentido, até porque não lembro mais que eles existem, a não ser quando insisto em procurar uma foto daquele amigo que não vejo há 15 anos ou daquela festa que reuniu todos os parentes no ano novo. Sim, porque lá em casa a caixa de lembranças acondiciona tudo o que diz respeito a tempo passado, mesmo que o tempo passado não diga mais respeito à gente. E quando penso que há tanta velharia, papel desbotado e cartões amassados que ocupam espaços em vão, eu teimo a me emocionar e dizer que são apenas lembranças e que, quem sabe um dia, eu volte a querer vivenciá-las. Mesmo que esse dia nunca chegue.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Escrevo essas palavras para quem me faz sentir viva, quem faz com que eu sinta que toda novo dia vale a pena e que tudo é possível quando se planeja viver em paz e com muito amor....


Não sei descrever tão bem sobre o amor, como fazem os poetas. Ora, não é preciso, basta senti-lo. Basta que tu me digas uma palavra para me conquistar...Basta que tu existas para me encantar... Basta que eu viva para te amar!!!


Te amo muito, muito, muitãooo!!!

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

O poder da vírgula

Lembro bem dos tempos da escola, das aulas de redação e da dificuldade com as vírgulas. Uma dificuldade que persiste, diga-se de passagem. A vírgula quando não empregada corretamente é um perigo tremendo. Não sou especialista no assunto e nem pretendo discutir regras que não levariam a nada, o que realmente quero é discutir o impacto que esse sinalzinho tem na nossa vida. Nas séries iniciais lembro da professora dizendo “usem a vírgula nas pausas, quando vocês estiverem cansados da leitura” e essa “regrinha básica” era utilizada por todas as educadoras primárias. Na faculdade, lembro da professora comentando “use frases curtas, evite o máximo as vírgulas, isso torna o texto cansativo”. No cursinho preparatório, o professor enloquecia: “Esqueçam tudo o que ouviram falar sobre vírgulas. Não há regras, há bom senso!!!!”. E a saga tornava-se interminável. Até pensei em criar minhas próprias regras, mas há de se convir que bateria de frente com tudo o que já foi cultuado a respeito. Então decidi assumir que não sei usar vírgulas de uma maneira 100% correta, mas tento fazer meus textos, diálogos, monólogos da melhor maneira possível e compreensível. E assim é com a vida. Por vezes, utilizamos de tantas vírgulas que nosso viver parece estar condicionado a inúmeras e repetidas pausas, como aquele carro enguiçado que não anda, exceto por aquele empurrão. Usamos as vírgulas da vida como um tempo que demora a passar, que finge resolver um problema quando simplesmente fugimos dele. E usamos as vírgulas da vida quando fingimos não ver ou ouvir o que está ao nosso redor, para simplesmente ignorarmos que a vida não tem qualquer outro ponto, a não ser as suas reticências ...

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Lembro das aulas de antropologia onde tinhamos a missão de estranhar o familiar. Tarefa complicada. Estranhar o diferente e exótico para mim sempre foi bastante animador. Estranhar não no sentido de desprezar, mas no sentido de reconhecer no outro características que diferem da nossa realidade. Por exemplo, quando vejo uma muçulmana, tenho vontade de puxar assunto. Um assunto despretensioso, como aqueles na fila do banco ou com o cara ao lado no ônibus. Tenho vontade de saber como ela vive, o que ela come, a primeira coisa que faz pela manhã. Como ela se sente, o que imagina, o que pensa da vida. Vontade que ela me convide para um chá ou uma festa só para eu observar. Só para eu sentir o que é estar naquele mundo nem que seja por dois minutos. Isso acontece também com os ciganos, os mórmons, os judeus etc. Mas estranhar o familiar é diferente. Primeiro, obviamente, porque o familiar não é o “outro”. Ele pode ter seus hábitos particulares, mas ele continua não sendo o “outro”. Segundo, porque ele passa despercebido às nossas vistas. Mas tentei, tento todos os dias. Não porque faça parte do meu trabalho, não porque tenha obrigação, mas pelo simples fato que essa curiosidade me aguça, me faz querer conhecer o mundo e todas as suas semelhanças e diferenças. Então, vamos à prática.

Viver a vida inteira em um mesmo estado, muito mais que fazer no sentir parte dele, adquirir um sotaque peculiar, hábitos alimentares e algumas coisas mais, faz com que não percebamos sutilezas, diferenças e gestos que nos diferem dos demais. Sabemos que somos diferentes, mas dificilmente conseguimos nos colocar no lugar dos demais para realmente entender a dimensão que faz com que sejamos os outros. Esses outros que usam bombacha, que frequentam CTG’s, que gostam de gineteadas. A vida inteira sobre o mesmo solo, faz com que não percebamos com espanto aquele gaúcho de bombacha larga que atravessa a rua. Convenhamos, isso é tão comum por aqui. Mas eu tenho feito isso, tenho tentado encarar o desafio de estranhar o familiar. E observo, o jeito que aquele gauchinho anda, tão criança, tão inocente, tão cheio de si. E imagino o que pensa de manhã quando acorda, o que come, o que escuta, o que faz dele ser assim tão diferente. E por instantes eu consigo, mas basta eu abrir os olhos e tudo volta a ser como era antes. Eis o encanto de "ser, sentir e fazer antropologia".

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Quem me conhece sabe que nutro uma verdadeira relação de amor e ódio por algumas pessoas. Amor porque sou capaz de amar incondicionalmente, passando por cima de defeitos e convenções. Ódio porque detesto ser julgada ou desrespeitada e é nesse momento que meu lado ruim impera. Não que eu seja pessoa má, eu não consigo ser. Por mais que eu saiba que o mundo não é dos bonzinhos, as minhas ameaças ficam só no imaginário. Costumo dizer que mau mesmo é aquele que não pensa, ele faz e eu só tenho pensado. E o que eu quero dizer com tudo isso? Quero dizer que num dos momentos mais difíceis da minha vida, eu reconheci as pessoas que realmente me amam e, de uma maneira dolorosa, eu digo que são poucas, muito poucas. Nessa hora tentei compreender o porquê de acreditarem que eu não choro, que eu não passo noites em claro, que eu não tenho problemas, afinal eu sempre tive tudo. Eu nunca passei fome, fiquei de recuperação apenas uma vez, passei no vestibular, ora o que mais eu ia querer? Eu não sei, talvez um pouco mais de carinho, de atenção, de análise. Talvez eu só quisesse coisas que o dinheiro ou o estudo não conseguem. Talvez eu só quisesse que o mundo soubesse que eu existia. Mas isso era muito para alguém que sempre teve de tudo. E um dia me perguntaram: E nessas horas você não teve vontade de acabar com tudo? Sim, eu tive, muitas vezes. E por que não fez? Porque mal mesmo é aquele que faz e eu só pensava.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Atendendo a pedidos, hoje vou tratar de mais um assunto polêmico: o mais novo sonho de consumo das mulheres.
Várias amigas já me confidenciaram que desejam ter amigos gays! Sim, porque amigos gays não são amigas revestidas num corpo de homem. São muito mais que isso, eles têm exatamente aquilo que esperamos em nossos parceiros: sensibilidade e bravura! Sensibilidade porque respeitam nossos incansáveis dias de TPM, sensibilidade porque entendem nosso choro contido, sensibilidade porque compreendem quando nos derretemos pelo Cauã Reymond ou Gianecchini e bravura porque não escondem suas lágrimas e acima de tudo, porque sabem “a dor e a delícia de ser o que é”, quando o mundo se infla de preconceitos e atitudes violentas. Talvez, ainda nos chocamos quando aquele amigo de longa data resolve assumir seu mundo cor de rosa, mas saibam meus queridos, deveria ser muito mais chocante continuarmos a tolerar um mundo tão cheio de incompreensão e amargura e tão carente de ternura.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

O post de hoje é um daqueles clássicos temas que povoam nossas mentes férteis e femininas e que nos perseguem até o momento em que abrimos o editor de texto e resolvemos escrever sobre um grande enigma da humanidade. E o título? Bem, um tanto sugestivo: “Não basta ter bunda, tem que saber usar."

Cansei de querer compreender a relação homem-bunda, bunda-homem e pior, cansei de questionar o porquê uma bunda vale mais do que inúmeros títulos universitários. Nessas horas compreendo porque a expressão “nasceu com a bunda virada pra lua” está intimamente ligada à questão de sorte. Ora, não há dúvidas, um bumbum avantajado, redondinho e bonito pode lhe render uma gorda poupança, com perdão do trocadilho, enquanto que um título universitário pode lhe render o dinheirinho pra pagar as contas no final do mês e um trocadinho pra investir, quem sabe, no financiamento daquele carrinho que não é bem o que você quer, mas o que pode pagar. Não questiono o uso de um ou outro atributo. O fato é que cérebros não vendem revistas. Você não verá a Playboy com a chamada “Uiii delícia....Musa da Copa mostra tudinho pra você” e um baita cérebro na capa. Não, você não verá. E muito menos verá “Cérebro da musa da copa em versão 3D”. Cérebros existem para que alguém diga “Nossa, aquela menina é um crânio”. E mais uma vez eu digo, crânio não vende revista, ao menos, não aquelas que você dará autógrafos e tenha além do cachê, participação nos lucros. Mas antes que vocês saiam por aí mostrando o bumbum pra todo mundo, vai logo um aviso: não basta ter bunda, tem que saber usar. Do contrário, mulherada, continuem com seus cérebros que, asseguro, já está de muito bom tamanho.