quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

A necessidade de falar...

Nunca tive receio ao falar sobre os meus períodos depressivos. Uma porque me sentia bem em desabafar, outra porque era uma maneira de me fazer compreendida e outra porque foi a partir desses desabafos que percebi as pessoas que realmente me querem bem na vida. No mais, dane-se.
A primeira vez que entrei num consultório de psicologia me senti à vontade. Pode? Por mais que era com espanto que ouvia os comentários alheios, aquele lugar era uma fortaleza, como se todos os meus problemas ficassem lá, só lá. A primeira vez que desisti de um consultório de psicologia, foi exatamente quando fiquei frente a frente com a realidade. E essa aparecia carrancuda e me dizia “é sou eu!!”. O que eu fiz? Eu fugi! E tentei e fugi tantas outras vezes. Mas a realidade é um bicho danado, ela nos persegue. Até fica escondidinha, mas sempre à espreita. E quanto mais fui encarando a realidade, mais fiquei com medo e corajosa ao mesmo tempo, por maior que seja o conflito. Até que um dia a realidade passou de um bicho ameaçador a uma conhecida bondosa. Conhecida sim, porque ela ainda não é minha melhor amiga. Ela até tenta, mas eu sou avessa às suas investidas. Eu ainda fujo quando sinto medo, mesmo que com menor freqüência. Eu ainda preciso falar quando aquela angústia me sufoca, mas desse mal não tenho mais medo, muito embora tudo fique entre as quatro paredes de um consultório.

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