quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Eu deveria ter um assunto para um novo post. Eu deveria. Eu deveria ter um assunto para uma roda de conversa. Sim, eu deveria. Deveria conseguir contar todos os meus problemas no divã. É, deveria. Quem sabe o capítulo da ontem da novela. O segredo do Chico Xavier investigado pelo Fantástico ou ainda o poder não curativo das plantas medicinais. Quem sabe a dor de cabeça que fez a mulher acordar falando com sotaque francês. Mas eu queria um assunto meu, não de alguém ou de um programa de TV. O fato é que nem sempre tenho assunto. Por vezes, tudo o que quero fazer é observar. Observar os fatos para quem sabe descreve-los. Ou não. O ruim de tudo isso é a incompreensão. Se fico quieta, alguém logo tece inúmeras perguntas.

- Por que está quieta?

- Por nada, só estou observando.

- Observando o quê?

- Nada específico.

- Como assim?

Como assim, pergunto eu. Caramba não posso observar o além ou observar o nada? Ou ficar à espreita esperando algo interessante acontecer? Não, ninguém se conforma com o silêncio.

Pior ainda, é que teimam em dizer que algo aconteceu.

- Hei, aconteceu alguma coisa?

- Não, por quê?

- Está tão quieta.

- Eu sou quieta.

- Eu sei, mas hoje está mais que o normal.

- Não aconteceu nada. Só estou quieta por não ter assunto.

- Como assim?

Reservo-me o direito de ficar calada. Se não estou falando é porque posso não querer falar. É porque estou ocupada demais pensando. Ou quem sabe até o gato comeu a minha língua.

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