quarta-feira, 20 de outubro de 2010

A vida é algo tão tênue. É como aquele fiozinho que se você puxa um pouquinho mais arrebenta. E a gente cuida tanto para que isso retarde a acontecer. É estranho um dia perceber que as pessoas partem e não porque mudaram de cidade ou viajaram de férias. Partem porque chegou sua hora, partem porque a vida não é para sempre. Hoje quando vi aquele senhor saindo em disparada para o velório do amigo, pensei: “Como um dia vamos encarar esta realidade que hoje parece tão distante?” Eu não sei como seria, mas quem sabe se pareça com a história da menina que viu o avô partir tão cedo. Ela nunca entendeu e até hoje não entende, mas sente como se ele estivesse por aí, presente, mas não visível. Talvez para os outros, aquele herói não fosse tão significativo, era só mais um que se perde na multidão. Mas para ela não. Foi ele que a protegeu nos dias em que lhe faltou abrigo. Foi ele que a ensinou a orar pelo pai que viajava. Foi ele que a segurava no colo enquanto contava histórias. E foi quando ele partiu que os churrascos de final de semana, a família reunida e a correria no quintal também se foram. Foi quando ele partiu que essa menina finalmente entendeu o que é lembrança. Aquela coisa que às vezes se confunde com saudade, com aperto no peito, com a vontade de abraçar aquela foto como se fosse de carne e osso e com aquelas lágrimas que insistem em surgir, mesmo quando as pessoas dizem que gente grande não chora.

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