É complicado definir a dimensão que um super herói causa na vida de alguém. Quando crianças, somos instigados a tentar compreender o mundo mágico de super poderes, raios miraculosos, anéis que salvam vidas e transformam o mundo. Pular de um prédio a outro é fichinha. Vestir uma máscara e se transformar no cara mais forte e poderoso da terra é barbada. Mas bom mesmo é ser invisível. Esse era o meu desejo. Não que eu tivesse a pretensão de salvar o planeta com meu super poder. O que eu queria mesmo era futricar a vida dos outros e descobrir o que faziam quando não na minha presença. Talvez não gostasse nada do que fosse descobrir, mas imaginação de criança não pensa essas coisas (cof, cof, cof). A verdade é que longe de máscaras, capas, anéis, elmos e poderes, o que realmente me abastece é a ideia de que super heróis não mais existem. Não aqueles que eu conhecia na tela matutina da TV. Se eu fosse responder a um ping-pong, na clássica “qual seu super herói?” eu responderia, na lata, “o que fosse o mais super humano de todos”. Por que só um super humano é capaz de deixar transparecer uma lágrima, uma tristeza, um sorriso e uma alegria. Só um super humano é capaz de se virar nos trinta com um rendimento precário. Só um super humano é capaz de se comover com o outro; é capaz de dar tudo de si pelo não sofrimento alheio; é capaz de compreender que a vida não é brincadeira não, mas não é tão dura quanto parece. Só um super humano é capaz de olhar para si e dizer “obrigado, estou vivo”. Conheço, a bem da verdade, pouquíssimos do gênero e reconheço que cada vez é mais difícil se tornar um, talvez mais fácil um super herói. Mas a vida é assim mesmo, uma eterna tentativa, quem sabe, um dia, consigamos adquirir os poderes de rasgar as capas e tirar as máscaras que nos impedem de encarar a realidade como ela realmente é.
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